No lugar errado

10:18 by Bruno Godinho


Pouco mais de uma semana após do anúncio de que a rede social de fotos Instagram teria uma versão para aparelhos de celular Android todo um reboliço foi criado na rede: são usuários de Iphone choramingando sobre a possível proliferação de informação inútil na timeline deles (como se já não houvesse futilidade suficiente) e os usuários do Android festejando isto como se fosse uma verdadeira ascensão social, o “Vamos invadir sua Praia” deste milênio.

Deixando de lado as diferenças entre as tribos do IOS e do Android e as “nobres” causas que eles defendem, é mais produtivo entender qual a motivação por trás de tudo isso. O que fomentou esta rincha digital foi a Orkutização da rede. Este termo foi criado após a rede social Orkut ficar carregada por informação irrelevante, o que acarretou num acelerado êxodo dos usuários até o Facebook.

Partindo do pressuposto de que uma rede social é apenas um “lugar” onde pessoas com certas características comuns se encontram para compartilhar experiências com os amigos (Facebook), para trocar ideias (Twitter) ou mesmo para expor a visão do seu mundo (Instragram), uma rede social pode ser considerada equivalente a um bar, uma escola, uma academia ou qualquer outro ponto de encontro onde haja interação entre as pessoas.  Então, se uma rede social não é o fim e sim o meio, o problema não estaria nela, mas no modo com que as pessoas que a frequentam agem. Tanto no meio digital quanto na vida real, se suas atitudes não forem interessantes você vai deixar de ser querido e lembrado e aos poucos esses locais serão menos frequentados. Afinal, se só vai gente chata naquela lanchonete, por que ir lá com tantas outras opções?

A grande diferença é que na padaria, na quadra de esportes ou no show musical as pessoas tentam ser interessantes expondo como são ou como gostariam de ser vistas. Não se vê nestes ambientes ninguém fazendo carinha de bebê que implora pela sexta-feira, nem imitando um cachorro tirando foto, pelo simples fato de que isso não interessa a ninguém. Infelizmente, na rede social é mais fácil, rápido e prático curtir, compartilhar ou retuitar um conteúdo já pronto do que criar o seu próprio. Que me desculpe quem faz isso, mas esta Orkutização é pura preguiça de pensar. Se for pra ser idiota, pelo menos seja sob o seu próprio ponto de vista e com argumentos e pensamentos seus. Pelo menos há algum mérito nisso. Pior, é só ser um papagaio debiloide que repete as asneiras que circulam a um clique de você.

Não me venha colocar a culpa na pseudo luta de classes entre Iphone e Android, porque independente da plataforma que você usa, do celular que você tem e da utilidade que a internet tem pra você, várias redes foram extintas pela Orkutização e cabe apenas a nós a responsabilidade pela permanência das atuais.

 Amigo leitor, coloque cada coisa no lugar certo. Principalmente seu cérebro.

P.S.: Quem não entendeu esse texto pode clicar aqui para ver um meme ou a foto de um gatinho sorridente e logo depois clicar em Compartilhar.

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1 comentários:

Juliana Caribé disse... @ 25 de maio de 2012 07:57

O que eu acho é que, hoje em dia, TODOS os valores estão muito invertidos. Não sei se tem a ver com a forma como as pessoas são educadas, ou com o quê mais poderia ser relacionado o fato, mas é assim que eu acho que as coisas têm sido. As pessoas reclamam da "orkutização", mas não param pra pensar que são elas próprias que causam esse "fenômeno". É sempre mais fácil apontar o dedo e acusar o outro do que assumir a própria responsabilidade. Realmente, a internet é o que fazemos dela; ela pode ser bem ou mal usada, depende apenas dos usuários. É a mesma coisa que acontece com os comentários sobre as fotos da Carolina Dieckman ou o abuso sofrido pela Xuxa (usando apenas alguns exemplos). Os valores estão tão invertidos, que as pessoas se acham no direito de julgar essas pessoas (e todas as outras), em vez de se atentarem ao que realmente importa: uma pessoa não deveria ter sua privacidade invadida, sob nennhuma hipótese; uma mulher (ou uma criança) não deveria ser abusada nunca, sob nenhuma hipótese. Mas, como eu disse, é sempre mais fácil apontar o dedo. Quando eu frequentava a Igreja, tinha uma coisa que as pessoas falavam, que acho que cabe: "Perceba: quando você aponta um dedo pra uma pessoa, tem três dedos seus apontados pra você". O ideal é nós pararmos de reclamar dos outros e fazermos a nossa parte. Na internet e fora dela.

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