Lembro do tempo em que o já defasado sistema público de ensino me ludibriava com uma simples questão: “Como foram suas férias?”.
Em todo início de semestre passávamos longas tardes fazendo redação sobre o recesso escolar. Parecia um ritual sagrado da escola estadual.
Matemática? Ciências? Inércia total. Tudo para que as aventuras da pirralhada fossem para o papel. Um papelão.
A educação era assim, a professora ganhava tempo enquanto gastava o nosso. Ah, como a tarde passava devagar. Quantas tardes perdidas.
Seja por má vontade ou mesmo incapacidade, meus professores insistiram nas redações e esqueceram o resto. Afinal, quem precisa saber somar?
Sei que hoje, só jogo Banco Imobiliário com uma calculadora ao lado. E se me perguntarem a capital de Espírito Santo, logo respondo: Amém.
Mesmo caquéticas, as aulas me fizeram tomar gosto de ler, de escrever e de criar. Tudo que não era bem visto no reino do decoreba.
Meu limite eram as margens, nunca as linhas. É nostálgico ter livre uma tarde inteira e a quantidade de letras que minha BIC quisesse.
Entre umas férias e outras, o relógio acelerou, a caneta perdeu a tinta e o papel, o uso. Tudo mudou. E mudou pra sempre.
Esqueçam os parágrafos, as orações,os períodos e até mesmo os verbos. Nada disso cabe nos famigerados 140 caracteres do modismo da internet.
Será?
Embora limitado, o Twitter tem espaço de sobra para o mais importante: a boa idéia. É ela que dita a pertinência da mensagem.
Quando o conteúdo é apropriado, vale a máxima de que pra bom entendedor, um pingo é letra.
Vocês podem até não ter percebido, mas esse texto foi escrito em “blocos” de até 140 caracteres.
Cada “bloco” possui uma informação. Uma mensagem que tem sentido se lida neste contexto ou não. Muitas já foram até tuitadas.
Quem concorda com Saramago ao afirmar que “o Twitter é a antecâmara do grunhido”, peço que repense.
A força da comunicação não está na forma de dizer e sim no que é dito. Se não, ainda estaríamos usando sonetos.
Não sei por que o Twitter virou moda. Tampouco por que se tem tanto receio de suas mensagens curtas.
O fato é que quem está verdadeiramente em crise é a criatividade humana, não o tamanho da criação.
Note que até hoje as crianças tem que responder “Como foram suas férias?”, só trocaram a caneta por pouco mais de uma centena de caracteres.
@tibrao
DIFERENTE
18:55 by Bruno Godinho
A diferença entre o velho mocassim e as novas pantufas é o calo.
Entre a bicicleta enferrujada e o carro do ano, a câimbra.
Entre o honesto e enfadonho ou o fácil, rápido e rasteiro é o caminho.
Mesmo caleijado, castigado pela câimbra e sujeito à escolha do pior caminho, ainda sim consigo andar.
O mesmo não se pode dizer daqueles que não tem pés ou os tem, mas não gozam de ânimo, força de vontade ou dedicação para usa-los. Pessoas nas quais a diferença entre todas estas coisas não faz a menor diferença.
Entre a bicicleta enferrujada e o carro do ano, a câimbra.
Entre o honesto e enfadonho ou o fácil, rápido e rasteiro é o caminho.
Mesmo caleijado, castigado pela câimbra e sujeito à escolha do pior caminho, ainda sim consigo andar.
O mesmo não se pode dizer daqueles que não tem pés ou os tem, mas não gozam de ânimo, força de vontade ou dedicação para usa-los. Pessoas nas quais a diferença entre todas estas coisas não faz a menor diferença.
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ESTÁTUA HUMANA
04:31 by Bruno Godinho
Parado em uma esquina qualquer sigo prateado a espera de um trocado ou ao menos um sorriso.
Há quem me veja arte, há quem me vê vagabundo, mas a maioria nem me vê. Minha vida é assim mesmo: solitária e silenciosa.
Vez ou outra uma pomba me esquenta confundindo-me com um sábio grego, austero romano ou influente político que, eternizados pelo tempo, movimentam nossa imaginação. Afinal, quem está petrificado: nós ou eles?
Parado em pé vejo tudo que não podia enxergar antes. O lado bom e ruim das coisas, o lado esquerdo e também o direito. O lado de dentro, mas principalmente o de fora. Acompanho tudo com o desejo de mudar o mundo, mas imóvel sou incapaz de mudar a mim mesmo. Impotente.
Este sou eu, assim como você, uma estátua humana. Um manequim não tão vivo em busca de um pouco de dinheiro ou ao menos um pouco de carinho.
Há quem me veja arte, há quem me vê vagabundo, mas a maioria nem me vê. Minha vida é assim mesmo: solitária e silenciosa.
Vez ou outra uma pomba me esquenta confundindo-me com um sábio grego, austero romano ou influente político que, eternizados pelo tempo, movimentam nossa imaginação. Afinal, quem está petrificado: nós ou eles?
Parado em pé vejo tudo que não podia enxergar antes. O lado bom e ruim das coisas, o lado esquerdo e também o direito. O lado de dentro, mas principalmente o de fora. Acompanho tudo com o desejo de mudar o mundo, mas imóvel sou incapaz de mudar a mim mesmo. Impotente.
Este sou eu, assim como você, uma estátua humana. Um manequim não tão vivo em busca de um pouco de dinheiro ou ao menos um pouco de carinho.
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MUDANÇA
06:47 by Bruno Godinho
MUDANÇA
Pra sempre eu mudei.
Comecei aos poucos, trocando as bermudas pelas calças,
As camisas por terno e gravata.
Mudei.
Pra sempre eu mudei.
Troquei as risadas pelas assinaturas. Tirei o sorriso, joguei fora a gargalhada.
Mudei.
Um dia mudei.
Larguei os velhos amigos, aqueles que me faziam mal e até os que faziam bem. Troquei tudo por um monte de clientes, bastante contatos.
Mudei.
Certo dia talvez eu tenha mudado.
Pode ser que tenha trocado um amor por vários. Pode ser que tenha sido trocado também.
Acho que mudei.
Quem sabe um dia eu mudo!
Ah, um dia deixo tudo pra trás e mudo tudo. Troco as roupas, as atitudes, os amigos, os amores...
Mudarei.
Será que um dia eu mudo?
Deixarei minha risada? Meus amigos? Meu amor? O que vou fazer com as velhas roupas?
Mudarei?
Pra sempre eu não mudei.
Mesmo podendo ter mudado tudo: roupas, costumes, companheiros e companhia, tudo, tudo e tudo... continuo o mesmo. Posso mudar tudo, mas nunca deixei que isso me mude.
E não mudarei.
(BRUNO GODINHO)
Pra sempre eu mudei.
Comecei aos poucos, trocando as bermudas pelas calças,
As camisas por terno e gravata.
Mudei.
Pra sempre eu mudei.
Troquei as risadas pelas assinaturas. Tirei o sorriso, joguei fora a gargalhada.
Mudei.
Um dia mudei.
Larguei os velhos amigos, aqueles que me faziam mal e até os que faziam bem. Troquei tudo por um monte de clientes, bastante contatos.
Mudei.
Certo dia talvez eu tenha mudado.
Pode ser que tenha trocado um amor por vários. Pode ser que tenha sido trocado também.
Acho que mudei.
Quem sabe um dia eu mudo!
Ah, um dia deixo tudo pra trás e mudo tudo. Troco as roupas, as atitudes, os amigos, os amores...
Mudarei.
Será que um dia eu mudo?
Deixarei minha risada? Meus amigos? Meu amor? O que vou fazer com as velhas roupas?
Mudarei?
Pra sempre eu não mudei.
Mesmo podendo ter mudado tudo: roupas, costumes, companheiros e companhia, tudo, tudo e tudo... continuo o mesmo. Posso mudar tudo, mas nunca deixei que isso me mude.
E não mudarei.
(BRUNO GODINHO)
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2º PODRECAST - Assédio na internet
15:34 by Bruno Godinho
Está no ar o 2º Podrecast, seu resumo semanal de desinformação que acontece de 15 em 15 dias a cada semestre de todo ano bi-sexto.
Desta vez o Podrecast está muito mais curto, muito mais cômico, enfim... muito mais inútil. Divirta-se
Tibrão (Bruno), Marciano (Paulo) e Porco (Torre) comentam sobre assédio na internet, fotos sensuais e os riscos das redes sociais para os "pegadores".
Dá o Play, Macaco!
Ou se preferir, faça o download
Desta vez o Podrecast está muito mais curto, muito mais cômico, enfim... muito mais inútil. Divirta-se
Tibrão (Bruno), Marciano (Paulo) e Porco (Torre) comentam sobre assédio na internet, fotos sensuais e os riscos das redes sociais para os "pegadores".
Dá o Play, Macaco!
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PODRECAST - resumo semanal de desinformação
17:23 by Bruno Godinho
Você sabe o que é um frango corporativo?
Já ouviu o axé da Queda do Avião?
Já imaginou o Obama no Araguaia?
Isso tudo você ouve no PODRECAST. Tibrão, Marciano e Porco comentam política, economia, games e muito mais de uma forma que você nunca viu. Nem ouviu.
Ouça agora!
Se preferir, faça o download
Já ouviu o axé da Queda do Avião?
Já imaginou o Obama no Araguaia?
Isso tudo você ouve no PODRECAST. Tibrão, Marciano e Porco comentam política, economia, games e muito mais de uma forma que você nunca viu. Nem ouviu.
Ouça agora!
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Prato do dia
11:32 by Bruno Godinho
Muito se fala sobre cultura. Ela é a identidade de um povo, a característica de uma época e, mais que isso, um item marcante no processo evolutivo de uma civilização. Mas, nem sempre podemos nos vangloriar disso.
Seja desde o gênese (para as culturas baseadas na religiosidade) ou desde a evolução de macaco para sapiens (para as culturas com forte tendência científica), buscamos defender o que temos de mais forte: um ideal. Ele nos domina. Dita como comeremos, dormiremos e nos relacionaremos. Esse ideal criado a partir do nosso inconsciente coletivo acrescido dos efeitos do ambiente (fenótipo) compõe um tijolo da enorme construção que é uma cultura. Essa por sua vez influencia nosso pensamento, modifica o ambiente e, portanto, é responsável pela variação de nossos ideais, gerando um círculo infinito. Uma cobra se alimentando do próprio “rabo”. E assim a cultura evolui e evoluímos com ela. Bom, pelo menos é assim que deveria ser.
Uma modificação cultural não se dá somente pela evolução natural dela, na maioria das vezes ela ocorre de forma mais rápida, brusca e agressiva. Não é de hoje que o choque de culturas diferentes e divergentes resulta na dominação de uma em detrimento da outra. Assim foram maias, astecas, egípcios, índios, gregos e troianos. Toda vez que uma civilização se erguia, outras tantas em seu caminho sucumbiam e com elas grande parte de seu acervo cultural. É a cobra se alimentando do próprio rabo enquanto uma águia a devora sem que ela sequer perceba.
Com base nisso não é difícil deduzir que o brasileiro nada mais é que a pasta italiana acompanhada da salada espanhola servidos com um bom Vinho do Porto, enquanto um doce de cupuaçu é apreciado como sobremesa. O que quase não se percebe é que nesse momento, com a mesa posta, nossa cultura está sendo novamente devorada.
Aos poucos, somos influenciados pela mídia que cria a pseudo-necessidade de consumo de itens que não precisamos a um preço que somos incapazes de pagar. Entra a imposição do hambúrguer americano, do sushi japoca, do Outback australiano e, principalmente, o estilo de vida de povos com histórico totalmente diferente do nosso.
Com a globalização e a instantaneidade das informações é impossível que a cobra da metáfora anterior deguste de si própria para evoluir. Ela é aos poucos devorada, ao mesmo passo que devora outros enquanto também come a si própria.
Estamos chegando ao ponto em que as culturas se digerirão de tal maneira que haverá um padrão comportamental, artístico e sócio-político em todo o mundo. Um só pensamento. Uma só voz.
Quando esse dia chegar, enfim teremos a evolução de uma cultura mundial. Todos de mãos dadas crescendo juntos.
Você pode até não estar mais na cozinha quando esse prato for servido, mas com certeza, as gerações vindouras comerão os frutos da semente plantada hoje. Para você, leitor, deixo apenas a sugestão do dia: tentar fazer o que há de melhor em seus ideais, para que estes influenciem o meio em que vive, de modo a contribuir para um padrão cultural mais justo e humanitário. E para os que se alimentarão de nossa cultura fica aqui apenas o meu “Bon apetit”.
Seja desde o gênese (para as culturas baseadas na religiosidade) ou desde a evolução de macaco para sapiens (para as culturas com forte tendência científica), buscamos defender o que temos de mais forte: um ideal. Ele nos domina. Dita como comeremos, dormiremos e nos relacionaremos. Esse ideal criado a partir do nosso inconsciente coletivo acrescido dos efeitos do ambiente (fenótipo) compõe um tijolo da enorme construção que é uma cultura. Essa por sua vez influencia nosso pensamento, modifica o ambiente e, portanto, é responsável pela variação de nossos ideais, gerando um círculo infinito. Uma cobra se alimentando do próprio “rabo”. E assim a cultura evolui e evoluímos com ela. Bom, pelo menos é assim que deveria ser.
Uma modificação cultural não se dá somente pela evolução natural dela, na maioria das vezes ela ocorre de forma mais rápida, brusca e agressiva. Não é de hoje que o choque de culturas diferentes e divergentes resulta na dominação de uma em detrimento da outra. Assim foram maias, astecas, egípcios, índios, gregos e troianos. Toda vez que uma civilização se erguia, outras tantas em seu caminho sucumbiam e com elas grande parte de seu acervo cultural. É a cobra se alimentando do próprio rabo enquanto uma águia a devora sem que ela sequer perceba.
Com base nisso não é difícil deduzir que o brasileiro nada mais é que a pasta italiana acompanhada da salada espanhola servidos com um bom Vinho do Porto, enquanto um doce de cupuaçu é apreciado como sobremesa. O que quase não se percebe é que nesse momento, com a mesa posta, nossa cultura está sendo novamente devorada.
Aos poucos, somos influenciados pela mídia que cria a pseudo-necessidade de consumo de itens que não precisamos a um preço que somos incapazes de pagar. Entra a imposição do hambúrguer americano, do sushi japoca, do Outback australiano e, principalmente, o estilo de vida de povos com histórico totalmente diferente do nosso.
Com a globalização e a instantaneidade das informações é impossível que a cobra da metáfora anterior deguste de si própria para evoluir. Ela é aos poucos devorada, ao mesmo passo que devora outros enquanto também come a si própria.
Estamos chegando ao ponto em que as culturas se digerirão de tal maneira que haverá um padrão comportamental, artístico e sócio-político em todo o mundo. Um só pensamento. Uma só voz.
Quando esse dia chegar, enfim teremos a evolução de uma cultura mundial. Todos de mãos dadas crescendo juntos.
Você pode até não estar mais na cozinha quando esse prato for servido, mas com certeza, as gerações vindouras comerão os frutos da semente plantada hoje. Para você, leitor, deixo apenas a sugestão do dia: tentar fazer o que há de melhor em seus ideais, para que estes influenciem o meio em que vive, de modo a contribuir para um padrão cultural mais justo e humanitário. E para os que se alimentarão de nossa cultura fica aqui apenas o meu “Bon apetit”.
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